terça-feira, 27 de outubro de 2009

Dia Internacional de Animação acontece em Joinville

Joinville está entre as 372 cidades brasileiras que participam da programação do Dia Internacional da Animação que acontece nesta quarta-feira, 28 de outubro. Em todo o Brasil, iniciando às 19 horas, haverá projeções de filmes. Em Joinville, o evento conta com a parceira do projeto Desenho Animado Ambiental, da Univille, que promove o 2º Prêmio Menino Caranguejo de Animação Estudantil. A entrada é gratuita e os ingressos serão distribuídos, às 18 horas, no Teatro Juarez Machado.

A mostra foi criada em 2002 pela Associação Internacional do Filme de Animação (ASIFA) para comemorar o Dia Internacional da Animação (DIA). Foi nesta data que Émile Reynaud, em 1892, realizou a primeira projeção do seu teatro óptico no Museu Grevin, em Paris. O objetivo do DIA é difundir o cinema de animação, atraindo novos públicos e proporcionando aos espectadores o acesso a essa arte cinematográfica.

Organizado pela Associação Brasileira de Cinema de Animação (ABCA), o Dia Internacional da Animação chega a sua sexta edição, com mostras infantis, internacionais, mostra para deficientes auditivos e visuais, além de palestras e exposições. Neste ano foram inscritos 126 curtas-metragens em animação de vários estados. Destes, nove curtas foram selecionados para o programa oficial brasileiro, que será exibido em todas as cidades e em alguns países membros da ASIFA.

A cidade de Joinville participa pela terceira vez do DIA, que inicia às 19 horas com a Mostra Local. Gole; O triste fim do boneco de neve; Em busca do Alaska perdido; Rufos; Retornável; O Desmatamento; Solidariedade; Morro Verde; Luz, Câmera, Animação, são as animações selecionadas do 2º Prêmio Menino Caranguejo de Animação Estudantil. Logo após terá a mostra nacional, seguida da mostra internacional, que incia às 21h30, encerrando com a entrega dos troféus Menino Caranguejo de Animação Estudantil.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Era Vargas chega ao fim no ANotícia

O furo desta reportagem não está nas ruas, mas nas principais redações dos jornais impressos de Santa Catarina – Diário Catarinense e A Notícia –, que pararam as máquinas ao saber das mudanças de comando anunciadas há duas semanas.

Jéssica Michels


A família Sirotsky anunciou mudanças nos principais veículos impressos de seu império, o Grupo RBS, em Santa Catarina. O editor-chefe do jornal A Notícia, Nilson Vargas, deixou o cargo no dia 29 de junho, rumo ao comando do Diário Catarinense, substituindo Cláudio Thomas. Em seu lugar assumiu o atual editor-executivo, Domingos Aquino. Após dois anos e oito meses, mais uma era Vargas chega ao fim, encerrando um conjunto de alterações que transformou um jornal de 85 anos em um legítimo produto da RBS.

O diretor-geral Marcos Barboza e o diretor de produto Cyro Martins comunicaram, em 16 de junho, a troca de cadeiras em três veículos do conglomerado. Em Florianópolis, Thomas despediu-se da redação que coordenou durante onze anos, e segue para ser o novo editor-chefe do Diário Gaúcho, o sétimo jornal na lista das maiores tiragens do Brasil. Quando assumiu, o título tinha pouco mais de dez anos de vida, dava prejuízo e sofria com a concorrência do joinvilense A Notícia – que tentava aumentar a circulação na Capital. O cenário é completamente diferente hoje. O editor-executivo Tarcísio Poglia assumiu temporariamente o DC, enquanto Nilson Vargas articulava sua transição em A Notícia.

Uma hora depois do anúncio dado em Florianópolis, o diretor regional Luiz Cardoso – o nome da RBS em Joinville – parou a redação de A Notícia e disse: “Nesse momento, na caixa de e-mails de vocês, deve estar o comunicado oficial”. Logo após a formalidade, Nilson Vargas e Domingos Aquino conversaram com a redação.

A terça-feira tumultuada

O primeiro semestre de 2009 reservou dois grandes momentos para Domingos Aquino. Logo no início nasceu seu segundo filho, Arthur. Ele estava nos braços do pai, quando Aquino foi anunciado como futuro editor-chefe de A Notícia. Domingos entraria em férias naquela semana, mas teve que adiar. “Estou muito contente com a escolha, fiz questão de estar presente na hora de anunciar isso”, declarou. Tanto que levou Arthur, hoje com cinco meses. “Eu não tinha com quem deixá-lo naquele dia”, explicou.

Na manhã daquela terça-feira, quando o site De olho na capital anunciou com exclusividade a saída de Thomas do DC, rolou uma tensão na redação de A Notícia. “Nós sabíamos que o Nilson iria ficar no lugar do Thomas, mas estávamos em dúvida se viria alguém de fora para assumir o AN ou se seria alguém da casa”, comentou um repórter. Já era previsto que Nilson Vargas fosse para Florianópolis, só que ninguém sabia quando isso aconteceria, nem o próprio Vargas. “Eu esperava que fosse demorar mais um ano para que essa transição pudesse acontecer, foi inesperado mesmo”, afirmou. As dúvidas da redação foram dissipadas no mesmo dia.

Nilson Vargas é uma pessoa inquieta. Ele mesmo confirmou isso na semana passada. “Estou fazendo uma coisa e já quero fazer outra, vocês sabem que sou assim. É do meu perfil passar por várias redações, encarar vários desafios. Desde o começo desta década, já morei em quatro cidades diferentes, liderando projetos importantes e diferenciados em cada uma delas”, declarou aos subordinados.

Na quarta-feira (17 de junho), as emoções de Nilson Vargas se inverteram: seu pai falecera, e ele teve que ir para Santa Maria (RS).

Mudanças no A Notícia

Antes da era Vargas, o jornal era estadual e mantinha uma sucursal em Florianópolis, onde era feito um caderno de 8 a 16 páginas. Com a chegada de Nilson, a pressão sobre os profissionais aumentou. A cobrança também. O caderno e a sucursal da Capital foram diminuindo até deixarem de existir. O jornal passou a dar um valor muito maior à arte e à infografia. Com o foco voltado para a região de Joinville, AN adotou um tom mais crítico, especialmente na cobertura da Prefeitura e da Câmara de Vereadores. Passou a pautar temas que eram tabus na redação, como a relação entre as empresas de ônibus e o município, tema que nunca fora discutido, pela proximidade do antigo dono, Moacir Thomazi, com o empresariado da cidade.

Ao passar o bastão, Nilson devolve a Domingos um comO furo desta reportagem não está nas ruas, mas nas principais redações dos jornais impressos de Santa Catarina – Diário Catarinense e A Notícia –, que pararam as máquinas ao saber das mudanças de comando anunciadas há duas semanas.

A família Sirotsky anunciou mudanças nos principais veículos impressos de seu império, o Grupo RBS, em Santa Catarina. O editor-chefe do jornal A Notícia, Nilson Vargas, deixou o cargo no dia 29 de junho, rumo ao comando do Diário Catarinense, substituindo Cláudio Thomas. Em seu lugar assumiu o atual editor-executivo, Domingos Aquino. Após dois anos e oito meses, mais uma era Vargas chega ao fim, encerrando um conjunto de alterações que transformou um jornal de 85 anos em um legítimo produto da RBS.

O diretor-geral Marcos Barboza e o diretor de produto Cyro Martins comunicaram, em 16 de junho, a troca de cadeiras em três veículos do conglomerado. Em Florianópolis, Thomas despediu-se da redação que coordenou durante onze anos, e segue para ser o novo editor-chefe do Diário Gaúcho, o sétimo jornal na lista das maiores tiragens do Brasil. Quando assumiu, o título tinha pouco mais de dez anos de vida, dava prejuízo e sofria com a concorrência do joinvilense A Notícia – que tentava aumentar a circulação na Capital. O cenário é completamente diferente hoje. O editor-executivo Tarcísio Poglia assumiu temporariamente o DC, enquanto Nilson Vargas articulava sua transição em A Notícia.

Uma hora depois do anúncio dado em Florianópolis, o diretor regional Luiz Cardoso – o nome da RBS em Joinville – parou a redação de A Notícia e disse: “Nesse momento, na caixa de e-mails de vocês, deve estar o comunicado oficial”. Logo após a formalidade, Nilson Vargas e Domingos Aquino conversaram com a redação.

A terça-feira tumultuada

O primeiro semestre de 2009 reservou dois grandes momentos para Domingos Aquino. Logo no início nasceu seu segundo filho, Arthur. Ele estava nos braços do pai, quando Aquino foi anunciado como futuro editor-chefe de A Notícia. Domingos entraria em férias naquela semana, mas teve que adiar. “Estou muito contente com a escolha, fiz questão de estar presente na hora de anunciar isso”, declarou. Tanto que levou Arthur, hoje com cinco meses. “Eu não tinha com quem deixá-lo naquele dia”, explicou.

Na manhã daquela terça-feira, quando o site De olho na capital anunciou com exclusividade a saída de Thomas do DC, rolou uma tensão na redação de A Notícia. “Nós sabíamos que o Nilson iria ficar no lugar do Thomas, mas estávamos em dúvida se viria alguém de fora para assumir o AN ou se seria alguém da casa”, comentou um repórter. Já era previsto que Nilson Vargas fosse para Florianópolis, só que ninguém sabia quando isso aconteceria, nem o próprio Vargas. “Eu esperava que fosse demorar mais um ano para que essa transição pudesse acontecer, foi inesperado mesmo”, afirmou. As dúvidas da redação foram dissipadas no mesmo dia.

Nilson Vargas é uma pessoa inquieta. Ele mesmo confirmou isso na semana passada. “Estou fazendo uma coisa e já quero fazer outra, vocês sabem que sou assim. É do meu perfil passar por várias redações, encarar vários desafios. Desde o começo desta década, já morei em quatro cidades diferentes, liderando projetos importantes e diferenciados em cada uma delas”, declarou aos subordinados.

Na quarta-feira (17 de junho), as emoções de Nilson Vargas se inverteram: seu pai falecera, e ele teve que ir para Santa Maria (RS).

Mudanças no A Notícia

Antes da era Vargas, o jornal era estadual e mantinha uma sucursal em Florianópolis, onde era feito um caderno de 8 a 16 páginas. Com a chegada de Nilson, a pressão sobre os profissionais aumentou. A cobrança também. O caderno e a sucursal da Capital foram diminuindo até deixarem de existir. O jornal passou a dar um valor muito maior à arte e à infografia. Com o foco voltado para a região de Joinville, AN adotou um tom mais crítico, especialmente na cobertura da Prefeitura e da Câmara de Vereadores. Passou a pautar temas que eram tabus na redação, como a relação entre as empresas de ônibus e o município, tema que nunca fora discutido, pela proximidade do antigo dono, Moacir Thomazi, com o empresariado da cidade.

Ao passar o bastão, Nilson devolve a Domingos um comando que ele já exerceu na prática, na gestão pré-RBS. Quando Nilson chegou, Domingos era o número dois da redação, capitaneada pelo antigo editor-chefe, Luís Meneghim. Segundo Domingos, Meneghim é um excelente profissional e entende muito de jornalismo, mas, naquele modelo de jornal, ele tinha uma missão mais administrativa e institucional. No dia-a-dia, Domingos era quem comandava a operação – mas a última palavra era de Meneghim. “Agora, com a saída de Nilson, a única coisa que muda é o nome. É uma mudança serena. Não terá mudança no produto”, garantiu Domingos. Nilson Vargas frisou isso também durante o discurso. “Se não de direito, de fato é o Domingos quem pilotava a redação”.

Domingos como capitão

Domingos completará 44 anos em julho. Trabalhou em A Notícia de 1988 a 1992. E de 1995 até hoje. Entre 1992 e 1995, trabalhou com comunicação interna na Tubos e Conexões Tigre. A experiência no AN fará diferença nas futuras decisões. Há uma semana, ele e Vargas estão em reuniões constantes devido à transição.

O maior receio dos repórteres é de A Noticia se tornar semelhante ao Santa, de Blumenau, um diário com o padrão RBS, mas exageradamente local. Domingos afirma que não haverá mudanças. “Temos esse compromisso com Joinville e com a região Norte do estado há 86 anos. É uma vocação com o localismo, sempre com o noticiário estadual, do país e do mundo. Mas a aposta principal é Joinville”, confirmou.

O cargo de editor-executivo ainda não está decidido. “Estamos conversando sobre um modelo. A Graziela Lindner e a Suzana Klein irão ajudar a coordenar a redação, isso é certo”, confirmou. Muitos repórteres – uns sete – estão na torcida para irem junto com Nilson para Florianópolis. Domingos garante não saber nomes. “Eu não sei, a RBS é grande, permite essa possibilidade de ascensão profissional mudando de posição, como aconteceu no meu caso, mas não sei vai algum repórter do AN para o DC”. Mesmo com o fim da exigência do diploma para exercer a profissão de jornalista, decidido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no dia 17 de junho, Domingos explica que o AN vai priorizar profissionais graduados na área.

No ataque: Nilson Vargas

Nilson Vargas sempre jogava futebol com a galera no sábado. Segundo Nilson, antes de começar Jornalismo, ele ficou em dúvida entre a profissão e o futsal. E ele ainda joga muito bem. Parece que está trabalhando, porque fica articulando as jogadas exatamente como um chefe de redação. Vargas não era o capitão do time, mas jogava no ataque. Talvez use a mesma estratégia na cobertura política da Capital.

O ataque é uma característica evidente nas coberturas realizadas durante esse período em Joinville. A redação de A Notícia acredita que o DC ganhou um grande editor-chefe. “Temos certeza que ele fará um excelente trabalho lá, principalmente na cobertura política. O Nilson não gosta de políticos”, frisou um dos repórteres.

É normal que o jornal reflita o que a cidade está vivendo, se é política vai ser política”, comentou Domingos, em relação à linha editorial de A Notícia. De acordo com um repórter, a mudança era necessária. “Esse foi o trabalho do Nilson Vargas no AN: levantar a auto-estima da redação com muita cobrança. Agora ele já não tinha mais de onde tirar motivação da galera, estava na hora da troca mesmo”, analisou. O regime de cobrança implantado por Vargas é visto por muitos como um fator positivo. “Ele colocava a gente no fogo. Fez isso com todos, não só com os repórteres. Achávamos que não iríamos conseguir e depois o trabalho estava pronto. Era comemorar”.

O último “pescoção”

25 de junho. É dia de despedida na redação, com direito a discursos e salgadinhos. Nilson faz uma fala emocionada, dizendo que aprendeu muito no jornal. Ele ganha um quadro com uma foto de todos da redação de A Notícia, mas a festinha de despedida não termina ali. Nilson convida a equipe para uma esticada no bar do Fritz, depois das 23 horas.

No bar, Nilson diz que ainda nem arrumou as malas para a viagem. Não sabe onde vai ficar, e talvez durma durante a semana na casa de um amigo. “Não vai ser uma mudança radical. Minha família vai continuar em Joinville até o final do ano”, explica. Nilson conta que ainda precisa conversar com o filho, que está no terceiro ano. “Tenho que ver se ele quer terminar o ano aqui, e onde vai fazer vestibular”.

Perto das duas da manhã, Nilson vai embora. “Pessoal, eu tô indo, porque amanhã eu ainda trabalho com vocês. E vai ter pescoção”. O trabalho de sexta-feira é complicado: é quando a redação tem que fechar as edições de sábado e domingo. Nilson se despede, mas deixa o paletó na cadeira. Aos poucos, repórteres e editores vão saindo, mas ninguém repara na peça esquecida. Fiquei no bar até as cinco horas e fui embora usando o paletó do editor-chefe.

Na sexta-feira, dia de pescoção, passei no jornal num horário complicado para devolvê-lo, às 19 horas. Ainda assim, Nilson foi até a recepção, todo bobinho, fazendo risinho com o canto da boca. Estava todo preocupado com o que tinha falado na entrevista, porque já nem lembrava disso. Recordava apenas que as minhas perguntas eram “provocativas” e que eu não estava com um bloquinho na hora.

”Não é dar uma de esperto, mas não consideraria que estava sendo entrevistado. Só lembre que, quando não anota, não grava, o repórter precisa tomar muito cuidado com o que extrai da memória”, disse ele, me ensinando. “E, apesar do estado etílico, eu lembro de em algum momento eu ouvir que você iria me mostrar algo em torno da matéria...”, sondou. Prometi que enviaria, mas só depois que o professor entregasse a nota pelo trabalho.

“Não vou para o DC ser apenas um síndico”: Entrevista feita por e-mail, no dia 23 de junho.

Como você vai para o DC, é esperado que leve alguns repórteres para mudar o jornal da capital. Quais são os teus repórteres de confiança de A Notícia e que poderiam estar na lista para entrar na tua malinha para Florianópolis?
Toda a equipe do AN é da minha confiança. Eu mantive profissionais da gestão anterior ou contratei todos os novos. Natural que todos sejam da minha confiança. E se têm méritos para estar no AN, têm também para estar no DC. A primeira preocupação não é em levar pessoas de Joinville ou trocar as de Florianópolis. Não tenho o perfil de promover trocas generalizadas nas equipes. Meu primeiro movimento é de tomar contato com a nova realidade, avaliar a equipe atual. Ver se a equipe e a estrutura estão dimensionadas, fazer ajustes dentro da própria equipe e só num quarto, quinto, sexto momento pensar em trocas.

Vai demorar um tempo para fazer alterações?
A expressão "mudar o jornal da capital” não se aplica de forma integral. O DC é um jornal líder, tem muitas virtudes para que eu adote como prioridade o verbo mudar. Nesse momento, prefiro verbos como avaliar, analisar, propor, aprimorar. Claro que a chegada de um editor-chefe novo gera ajustes, e não vou para lá ser apenas um síndico. Todos os ajustes serão responsáveis, bem pensados, procurando valorizar o que o jornal tem de bom e agregar novas virtudes. Foi assim que agi no AN e é assim que pretendo agir no DC. O verbo mudar está, sim, no meu repertório. E nunca tive medo de mudar ou preferi o muitas vezes confortável "deixar como está" pra ser o chefe amigo, camarada, ou excessivamente corporativista.

Já era esperado que você fosse assumir o DC. Como isso aconteceu?
O AN passa por uma transição e eu fui um dos agentes dela. Não estava buscando a mudança, nem especificamente para o DC. Mas a possibilidade surgiu me parece profissional e pessoalmente interessante, casa com uma expectativa da empresa e... Lá vamos nós.

Como foi a experiência no jornal A Notícia?
O convívio com a equipe do AN foi um dos melhores da minha trajetória profissional. É uma equipe madura, criativa, disposta a trabalhar, ciente do papel do jornalista em relação ao leitor e à comunidade.

Sendo você um cara muito inquieto, qual é a grande alteração que fará no DC?
Pode ser que eu não faça uma, mas muitas grandes mudanças. Tenho vários projetos em mente. Mas não é questão de honra, de marca pessoal ou de vaidade imprimir as tais grandes mudanças. Esta pergunta sobre o que (e se) mudar, só terei condições de responder depois de uma avaliação mais detalhada da equipe, da estrutura, do jornal, das expectativas do leitor. Os últimos três anos foram de mergulho profundo no AN. Não deu tempo de acompanhar com profundidade também os outros jornais.

Vai fazer tremer estruturas políticas em Florianópolis?
Sobre as estruturas políticas, os políticos, os governos, a resposta pode parecer um pouco aquelas frases feitas, mas é verdadeira: a meta é manter uma relação respeitosa e equilibrada com estes segmentos da sociedade, tendo em vista o interesse e a expectativa do leitor. Ok, todo mundo responde isso. A diferença é que uns respondem por responder e outros respondem com firme disposição de colocar em prática. Eu posso te assegurar que faço parte do grupo dos que querem colocar em prática.ando que ele já exerceu na prática, na gestão pré-RBS. Quando Nilson chegou, Domingos era o número dois da redação, capitaneada pelo antigo editor-chefe, Luís Meneghim. Segundo Domingos, Meneghim é um excelente profissional e entende muito de jornalismo, mas, naquele modelo de jornal, ele tinha uma missão mais administrativa e institucional. No dia-a-dia, Domingos era quem comandava a operação – mas a última palavra era de Meneghim. “Agora, com a saída de Nilson, a única coisa que muda é o nome. É uma mudança serena. Não terá mudança no produto”, garantiu Domingos. Nilson Vargas frisou isso também durante o discurso. “Se não de direito, de fato é o Domingos quem pilotava a redação”.

Domingos como capitão

Domingos completará 44 anos em julho. Trabalhou em A Notícia de 1988 a 1992. E de 1995 até hoje. Entre 1992 e 1995, trabalhou com comunicação interna na Tubos e Conexões Tigre. A experiência no AN fará diferença nas futuras decisões. Há uma semana, ele e Vargas estão em reuniões constantes devido à transição.

O maior receio dos repórteres é de A Noticia se tornar semelhante ao Santa, de Blumenau, um diário com o padrão RBS, mas exageradamente local. Domingos afirma que não haverá mudanças. “Temos esse compromisso com Joinville e com a região Norte do estado há 86 anos. É uma vocação com o localismo, sempre com o noticiário estadual, do país e do mundo. Mas a aposta principal é Joinville”, confirmou.

O cargo de editor-executivo ainda não está decidido. “Estamos conversando sobre um modelo. A Graziela Lindner e a Suzana Klein irão ajudar a coordenar a redação, isso é certo”, confirmou. Muitos repórteres – uns sete – estão na torcida para irem junto com Nilson para Florianópolis. Domingos garante não saber nomes. “Eu não sei, a RBS é grande, permite essa possibilidade de ascensão profissional mudando de posição, como aconteceu no meu caso, mas não sei vai algum repórter do AN para o DC”. Mesmo com o fim da exigência do diploma para exercer a profissão de jornalista, decidido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no dia 17 de junho, Domingos explica que o AN vai priorizar profissionais graduados na área.

No ataque: Nilson Vargas

Nilson Vargas sempre jogava futebol com a galera no sábado. Segundo Nilson, antes de começar Jornalismo, ele ficou em dúvida entre a profissão e o futsal. E ele ainda joga muito bem. Parece que está trabalhando, porque fica articulando as jogadas exatamente como um chefe de redação. Vargas não era o capitão do time, mas jogava no ataque. Talvez use a mesma estratégia na cobertura política da Capital.

O ataque é uma característica evidente nas coberturas realizadas durante esse período em Joinville. A redação de A Notícia acredita que o DC ganhou um grande editor-chefe. “Temos certeza que ele fará um excelente trabalho lá, principalmente na cobertura política. O Nilson não gosta de políticos”, frisou um dos repórteres.

É normal que o jornal reflita o que a cidade está vivendo, se é política vai ser política”, comentou Domingos, em relação à linha editorial de A Notícia. De acordo com um repórter, a mudança era necessária. “Esse foi o trabalho do Nilson Vargas no AN: levantar a auto-estima da redação com muita cobrança. Agora ele já não tinha mais de onde tirar motivação da galera, estava na hora da troca mesmo”, analisou. O regime de cobrança implantado por Vargas é visto por muitos como um fator positivo. “Ele colocava a gente no fogo. Fez isso com todos, não só com os repórteres. Achávamos que não iríamos conseguir e depois o trabalho estava pronto. Era comemorar”.

O último “pescoção”

25 de junho. É dia de despedida na redação, com direito a discursos e salgadinhos. Nilson faz uma fala emocionada, dizendo que aprendeu muito no jornal. Ele ganha um quadro com uma foto de todos da redação de A Notícia, mas a festinha de despedida não termina ali. Nilson convida a equipe para uma esticada no bar do Fritz, depois das 23 horas.

No bar, Nilson diz que ainda nem arrumou as malas para a viagem. Não sabe onde vai ficar, e talvez durma durante a semana na casa de um amigo. “Não vai ser uma mudança radical. Minha família vai continuar em Joinville até o final do ano”, explica. Nilson conta que ainda precisa conversar com o filho, que está no terceiro ano. “Tenho que ver se ele quer terminar o ano aqui, e onde vai fazer vestibular”.

Perto das duas da manhã, Nilson vai embora. “Pessoal, eu tô indo, porque amanhã eu ainda trabalho com vocês. E vai ter pescoção”. O trabalho de sexta-feira é complicado: é quando a redação tem que fechar as edições de sábado e domingo. Nilson se despede, mas deixa o paletó na cadeira. Aos poucos, repórteres e editores vão saindo, mas ninguém repara na peça esquecida. Fiquei no bar até as cinco horas e fui embora usando o paletó do editor-chefe.

Na sexta-feira, dia de pescoção, passei no jornal num horário complicado para devolvê-lo, às 19 horas. Ainda assim, Nilson foi até a recepção, todo bobinho, fazendo risinho com o canto da boca. Estava todo preocupado com o que tinha falado na entrevista, porque já nem lembrava disso. Recordava apenas que as minhas perguntas eram “provocativas” e que eu não estava com um bloquinho na hora.

”Não é dar uma de esperto, mas não consideraria que estava sendo entrevistado. Só lembre que, quando não anota, não grava, o repórter precisa tomar muito cuidado com o que extrai da memória”, disse ele, me ensinando. “E, apesar do estado etílico, eu lembro de em algum momento eu ouvir que você iria me mostrar algo em torno da matéria...”, sondou. Prometi que enviaria, mas só depois que o professor entregasse a nota pelo trabalho.

“Não vou para o DC ser apenas um síndico”: Entrevista feita por e-mail, no dia 23 de junho.

Como você vai para o DC, é esperado que leve alguns repórteres para mudar o jornal da capital. Quais são os teus repórteres de confiança de A Notícia e que poderiam estar na lista para entrar na tua malinha para Florianópolis?
Toda a equipe do AN é da minha confiança. Eu mantive profissionais da gestão anterior ou contratei todos os novos. Natural que todos sejam da minha confiança. E se têm méritos para estar no AN, têm também para estar no DC. A primeira preocupação não é em levar pessoas de Joinville ou trocar as de Florianópolis. Não tenho o perfil de promover trocas generalizadas nas equipes. Meu primeiro movimento é de tomar contato com a nova realidade, avaliar a equipe atual. Ver se a equipe e a estrutura estão dimensionadas, fazer ajustes dentro da própria equipe e só num quarto, quinto, sexto momento pensar em trocas.

Vai demorar um tempo para fazer alterações?
A expressão "mudar o jornal da capital” não se aplica de forma integral. O DC é um jornal líder, tem muitas virtudes para que eu adote como prioridade o verbo mudar. Nesse momento, prefiro verbos como avaliar, analisar, propor, aprimorar. Claro que a chegada de um editor-chefe novo gera ajustes, e não vou para lá ser apenas um síndico. Todos os ajustes serão responsáveis, bem pensados, procurando valorizar o que o jornal tem de bom e agregar novas virtudes. Foi assim que agi no AN e é assim que pretendo agir no DC. O verbo mudar está, sim, no meu repertório. E nunca tive medo de mudar ou preferi o muitas vezes confortável "deixar como está" pra ser o chefe amigo, camarada, ou excessivamente corporativista.

Já era esperado que você fosse assumir o DC. Como isso aconteceu?
O AN passa por uma transição e eu fui um dos agentes dela. Não estava buscando a mudança, nem especificamente para o DC. Mas a possibilidade surgiu me parece profissional e pessoalmente interessante, casa com uma expectativa da empresa e... Lá vamos nós.

Como foi a experiência no jornal A Notícia?
O convívio com a equipe do AN foi um dos melhores da minha trajetória profissional. É uma equipe madura, criativa, disposta a trabalhar, ciente do papel do jornalista em relação ao leitor e à comunidade.

Sendo você um cara muito inquieto, qual é a grande alteração que fará no DC?
Pode ser que eu não faça uma, mas muitas grandes mudanças. Tenho vários projetos em mente. Mas não é questão de honra, de marca pessoal ou de vaidade imprimir as tais grandes mudanças. Esta pergunta sobre o que (e se) mudar, só terei condições de responder depois de uma avaliação mais detalhada da equipe, da estrutura, do jornal, das expectativas do leitor. Os últimos três anos foram de mergulho profundo no AN. Não deu tempo de acompanhar com profundidade também os outros jornais.

Vai fazer tremer estruturas políticas em Florianópolis?
Sobre as estruturas políticas, os políticos, os governos, a resposta pode parecer um pouco aquelas frases feitas, mas é verdadeira: a meta é manter uma relação respeitosa e equilibrada com estes segmentos da sociedade, tendo em vista o interesse e a expectativa do leitor. Ok, todo mundo responde isso. A diferença é que uns respondem por responder e outros respondem com firme disposição de colocar em prática. Eu posso te assegurar que faço parte do grupo dos que querem colocar em prática.


*A reportagem foi produzida para a disciplina de Redação III, do professor Jacques Mick, e sugerida para publicação na Revi.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Em Blumenau, no Intercom Sul


Blumenau, terra dos alemães. Eu deveria “me sentir em casa”. Na verdade não foi bem assim, eu estava no décimo Intercom Sul, que aconteceu na Furb (Universidade Regional de Blumenau). Além de ser a única aluna do curso de Jornalismo do Bom Jesus/Ielusc, eu não havia enviado nenhum artigo, nenhum trabalho, nenhum projeto para apresentar.

A minha frustração foi rapidamente corrompida, no momento que cheguei, na manhã de 28de maio, no credenciamento. Parecia competição de dança. Havia algumas universidades que tinham até uniformes, com o nome da instituição e do curso. Algo divertido. Sempre estavam chegando grupos. Eu e a professora Izani Mustafá decidimos ir na cantina antes de encarar a maratona do primeiro dia, com palestras na parte da manhã e Divisões Temáticas à tarde.

Chegamos por volta das 10 horas para a sessão solene de abertura, no bloco T, que foi transmitida para outras três salas do bloco S. A palestra não me agradou: era sobre as vendas através do serviço do celular. Não fiquei nem dez minutos. Voltei para o pátio e encontrei uma amiga (do orkut), de Pato Branco (PR), a Kaká. Combinamos de nos encontrar mais tarde. Já era meio-dia, resolvi ir à casa da amiga da minha mãe, onde fiquei hospedada. Peguei um ônibus. Momento feliz: em Blumenau ainda tem cobrador (excelentes fontes de informação). Preço da passagem: R$ 2,30. Frustração novamente. Adoro pedir informações. Já sabia qual era a linha que precisava embarcar e e qual ponto precisava descer, mas o tempo todo eu estava perguntando pra alguém. Desenvolver meu lado turista rendeu muitas conversas boas dentro dos ônibus.

Às 13h30 já estava de volta na Furb. Encontrei a galera da Fadep (Faculdade de Pato Branco) e fomos desbravar todos os andares e blocos. Expocom, Intercom Júnior e Divisões Temáticas são diferentes eventos que começavam às 14 horas. Elas estavam separadas em sete categorias: Jornalismo, Publicidade e Propaganda, Comunicação Audiovisual, Comunicação Multimídia, Interfaces Comunicacionais, Comunicação, Espaço e Cidadania, Estudos Interdisciplinares da Comunicação. Em cada área havia apresentação de sete trabalhos (média) e após era feito um debate. Quando uma Divisão Temática tinha mais de dez trabalhos, o grupo era dividido em duas salas. Ou seja, se cada categoria tem sete trabalhos, e há sete categorias em três eventos, haviam aproximadamente 150 artigos, trabalhos e apresentações apenas no primeiro dia.

Eu escolhi assistir os trabalhos da Divisão Temática de Jornalismo, que foi dividida em duas salas. Um dos grupos foi coordenado pelo professor Márcio Fernandes, da Unicentro (Universidade Estadual do Centro-Oeste), onde foram apresentados seis trabalhos na sala 210, do bloco S. É praticamente um seminário, em que cada um apresenta seu artigo e depois há um discussão geral sobre todos os trabalhos. Às 17 horas encerrou todas as apresentações, e todos desceram para a cantina ou para o pátio, onde tocava uns covers de MPB.

Houve lançamentos de livros, às 18 horas, mas eu não presenciei porque estava na fila para entrar em alguma das oficinas. Locução para rádio AM; Charges, caricaturas e cartoons; A comunicação da Oktoberfest; Jornalismo comunitário; Jornalismo literário; Assessoria de comunicação no setor público; As estratégias de produção do programa Globo Universidade. Todas começavam às 19 horas, mas eu não tinha me inscrito em nenhuma. Fiquei peregrinando na porta da oficina de Jornalismo Literário, rezando para que alguém tivesse desistido. Minhas preces foram atendidas, nove pessoas não foram, ou seja, eu consegui.

Terminada a oficina, fui com as minhas novas amigas ao hotel delas para nós arrumarmos para a abertura da Oktoberfest. Momento euforia. Sim, a Oktoberfest só acontece em outubro (óbvio), mas o lançamento da programação aconteceu especialmente para os congressistas do Intercom Sul. A banda Cavalinho Branco animou os universitários de comunicação social. Muito chope. “Bafões” eu conto pessoalmente.

No segundo dia (29 de maio), devido a noitada anterior, eu acordei muito tarde e perdi as palestras matinais sobre comunicação na sociedade digital. No período da tarde resolvi prestigiar a apresentação do artigo "Produção científica na faculdade de jornalismo do Bom Jesus/Ielusc: as monografias sobre rádio (2001-2008)", da Izani, na Divisão Temática de Comunicação Audiovisual, na sala 410, bloco S. Coordenado pelo professor Luiz Artur Ferraretto, houve mais dois trabalhos interessantes: “Rádio Nereu Ramos de Blumenau: 50 anos de jornalismo comunitário”, de Clóvis Reis e Evelásio Vieira Neto, e o trabalho de conclusão de doutorado da Vera Lucia Spacil Raddatz, “Rádio de Fronteira: da cultura local ao espaço global”.

Às 15h20 fiz uma corrida até o bloco R, no terceiro andar, para ver a apresentação da minha amiga Karise Brustolin Piasecki, (Káká) “Análise de Elementos de Edição no Documentário 'Ônibus 174': debatendo o Espetáculo”. Deu para conferir mais dois trabalhos (bem diferentes) sobre o programa Custe o Que Custar (CQC). O debate no grupo foi acirrado. A maioria dos participantes está terminando a faculdade e vem apresentar a prévia do seu trabalho de conclusão de curso. Isso agrega muito, porque há troca de experiências com outros estudantes que estão trabalhando o mesmo tema, além de opiniões de diversos professores.

Havia sete workshops na sexta-feira. Redação criativa; Desenho animado; Locução para rádio FM; A crônica jornalística; Comunicação e moda; Jornalismo esportivo, e Propaganda nas redes sociais virtuais. Usando a mesma tática, consegui entrar na oficina de moda, porque a de crônica estava lotada.

O encerramento aconteceu na Vila Germânica, no sábado (30 de maio), às 10 horas. Também houve a cerimônia de entrega de certificados dos trabalhos vencedores do Expocom Sul. Agito. Entusiasmo. Flashs. Comemoração. Ansiedade. Fotos. Torcidas. Agito. Aplausos. Assim termina a entrega da premiação. Abraços, beijos e mais fotos, troca de msn's, orkut, e-mail, telefones. Promessas de encontros no Intercom Nacional, que será em Curitiba, de 4 a 7 de setembro, na Universidade Positivo (UP).

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Joinville celebra o Dia Internacional da Dança

Em 29 de abril comemora-se o Dia Internacional da Dança. Joinville, sede do maior festival do mundo, marcará a data com uma série de atividades como apresentações, palestras, exposições e workshops gratuitos em diversos locais da cidade.

A Fundação Cultural de Joinville e a Escola de Ballet da Casa da Cultura promovem a 5ª Noite Cultural, que acontece nos dias 28 e 29 de abril, às 20 horas, no Teatro Juarez Machado. Além dos bailarinos da Casa da Cultura, outros dez grupos participam desse espetáculo: Crew da Oscip Chhai, Grupo Segue, Escola Municipal Profª Laura Andrade, Academia de Dança Corpo Livre, Grupo de Dança Escola Municipal Gov. Pedro Ivo Campos, Cia de Dança Masculina Jair Moraes, Grupo Karminarì, Ballet Infantil Elias Moreira, Grupo de Dança Fernando Lima, Escola do Teatro Bolshoi no Brasil e Tribal Fusion Bellydance. Os ingressos são gratuitos e podem ser retirados na Casa da Cultura.

A Associação de Dança de Joinville (ADJ) e a Associação Joinvilense de Dança de Salão (AJODS) organizam apresentações gratuitas na praça Nereu Ramos e no Museu Nacional de Imigração e Colonização. Na praça os espetáculos acontecem das 12 às 14 horas, com 15 coreografias de 11 grupos de dança confirmados. O Teatro Bolshoi fará duas cenas do segundo ato de Dom Quixote. Os outros grupos que participam da mostra são o Grupo SEGUE de Dança Inclusiva, o Estúdio de Dança Dois pra lá Dois pra cá, o Grupo Fernando Lima, a CR. Crew do projeto Casa do Hip Hop Arte Inclusiva, a Dança do Ventre, a Academia Andança, o Colégio Santo Antônio, a Dança de Rua da Academia Corpo Livre e o Grupo Rua Join Dance. Com exceção dos bailarinos do Colégio Santo Antônio, os mesmos grupos voltam a se apresentar no museu das 17 às 18 horas. No Museu Nacional de Imigração e Colonização, também com entrada franca, o público poderá ainda visitar a exposição A alma de Dom Quixote, da Escola do Teatro Bolshoi.

Parte da programação do Dia Internacional da Dança também acontece na Casa da Cultura. No auditório, das 10 às 12 horas, haverá as palestras “A busca da formação em Dança”, com Gracinha Araújo, e “Importância das Associações de Dança”, ministrada por Alexandre Melo. À tarde, o espaço é tomado por seis oficinas de dança gratuitas:
- Dança Criativa, com Darling Quadros, das 14 às 15 horas
- Dança Indiana, com Sabrina Lermen, das 14 às 15 horas
- Dança de Rua, com Eliseo Lemos, das 15 às 16 horas
- Tango, com Maycon Santos e Francine Borges, das 15 às 16 horas
- Jazz, com Fernando Lima, das 16 às 17 horas
- Samba de Salão, com Fabio Simões, das 16 às 17 horas

domingo, 19 de abril de 2009

Documentário resgata a vida e a obra de Darwin


Quem somos? De onde viemos? Como chegamos até aqui? Por que somos o que somos? Se você anseia por saber essas respostas, poderá achar algumas soluções nas concepções de Charles Darwin, precursor da teoria evolucionista. Está disponível na biblioteca do Bom Jesus/Ielusc uma cópia em DVD do documentário Darwin 200 anos, em comemoração ao bicentenário do nascimento do autor.


O documentário é divido em quatro capítulos: o primeiro foi transmitido no dia 28 de janeiro pela Globo News e abordou a vida de Darwin. O segundo capítulo é dedicado à teoria da evolução e aos impactos causados por ela. A relação conflituosa entre o evolucionismo e a igreja cristã é o tema do terceiro episódio, quando o repórter Marcos Uchôa visita um quartel general formado por anti-darwinistas nos Estados Unidos. Os reflexos do evolucionismo no mundo contemporâneo são a base do quarto e último capítulo do documentário.


“Nós não fomos criados de uma só vez, por determinação divina: os seres vivos evoluíram e se diferenciaram aos poucos”. Esse é o alicerce do pensamento de Darwin, que demorou mais de duas décadas estudando e aprofundando sua teoria. Chegar às conclusões de Darwin, em meados do século 19, com limitado conhecimento sobre o assunto na época, foi nada menos que revolucionário.


Charles Darwin é visto como “o homem que mudou pra sempre nossa visão de mundo”. Na sua concepção, as espécies animais se desenvolveram a partir das células mais simples e nos últimos quatro bilhões de anos foram se adaptando às condições do ambiente. Algumas espécies sumiram, outras se ajustaram aos fatores climáticos e estão se reproduzindo até hoje.


“O ser humano não descende dos macacos, como muitos dizem para ridicularizar as ideias de Darwin. O que ele disse é que o homem e o macaco têm ascendentes comuns na evolução”, explica o apresentador Luis Fernando Silva Pinto. Janet Browne, da Univerdade de Harvard e também biógrafa de Darwin comenta essa critica à teoria, que ficou conhecida como “Guerra dos Gorilas”: “Depois da publicação da Origem das espécies houve um debate acirrado sobre o possível ancestral primata do homem. Coincidentemente, o ocidente conheceu nesta época o gorila, e ele foi incorporado muito depressa e de forma dramática aos debates. Muitas pessoas achavam o gorila tão agressivo e bestial que não poderia ser um ancestral dos humanos”.


Sobre a origem das espécies, a principal obra de Darwin, teve sua edição de 1.250 exemplares vendida em poucos dias. Sua mulher, Emma, era muito religiosa e se preocupou bastante com os pensamentos e teorias do marido e as consequencias de sua divulgação. Os pesquisadores não acreditam que esse seja um motivo para a demora na publicação de sua teoria, mas todos atribuem à morte de sua filha Annie, aos dez anos, a descrença em Deus e o afastamento total de Darwin da igreja.


Foi no dia 27 de dezembro de 1831 que o pesquisador iniciou sua famosa viagem de Beagle, durando quase cinco anos. Nessa viagem, ele estudou uma rica variedade de características geológicas, fósseis e organismos vivos, recolhendo meticulosamente um enorme número de espécimes. “O material coletado por Darwin daria sustentação sólida de que a natureza é uma guerra entre as espécies, vegetais e animais. E que as mais fortes e adaptadas sobrevivem. Quando as espécies se reproduzem, fazem cópias de si próprias. Mas essas cópias nem são sempre idênticas, pois ocorrem mutações ou desvios que criam variedades. Darwin chamou isso de seleção natural”, explicou o repórter Silio Boccanera.


Darwin só decidiu publicar sua obra quando recebeu a carta do naturalista Alfred Russel Wallace, que também recolheu amostras de plantas e animais de vários lugares do mundo. Em seus estudos, Wallace concluiu o mesmo que Charles Darwin. Mas isso não é visto pelo pesquisador John Parker, da Universidade de Cambridge, como plágio da teoria: “Ela não roubou nada de Wallace, não pegou nada dele. Nada, a não ser ter chegado na mesma conclusão. Darwin já tinha escrito tudo”, explica.


Essa matéria está publicada na Revi (Revista Eletrônica do Bom Jesus Ielusc).


sexta-feira, 17 de abril de 2009

O mestre da vida alheia - Entrevista com Fernando Morais


Chegamos ao salão de entrada do Hotel Bourbon. Izani Mustafá pergunta à moça bonita que está sorrindo atrás do balcão onde será a entrevista coletiva com Fernando Morais. Entramos os três no elevador: Izani, Felipe Silveira e eu. No terceiro andar, dois grandes sofás e algumas cadeiras. Do outro lado, duas mesinhas redondas com toalhas brancas, que sustentavam algumas jarras de sucos, café e leite, bandejas com palitinhos de chocolates e bolo de banana. Eu ignorei por completo essas mesas.
Sentamos nas cadeiras. Poucos minutos depois, ele chega. Fernando Morais vem sorrindo e cumprimenta pessoalmente todos os presentes. Usava uma camisa social branca e calças pretas e sapatos escuros. A barba estava rala e com a maioria dos fios brancos. A calvície já é bem visível e as sobrancelhas bem grandes e irreparáveis. Ele sentou no sofá e logo um rapaz foi gravar uma exclusiva com ele. O rapaz pergunta como ele começou a organizar a compilação de dados sobre Paulo Coelho. Fernando conta: “O livro começou quando eu vi o Paulo Coelho pela primeira vez no aeroporto de Lyon, na França. Ele estava sozinho, com uma mochila nas costas e puxando uma maleta de rodinhas”. No primeiro capítulo do livro, Fernando faz um retrato social deste momento no aeroporto. Com invejável descrição de detalhes, explica ao leitor quem é Paulo Coelho, mostrando a visibilidade dele no mundo. “Ele não é só conhecido. Paulo Coelho é respeitado”, ressalta.
"Temos que reescrever mil vezes diversas frases para o parágrafo ficar... elegante”, simplificou Fernando Morais. A construção desta biografia tomou-lhe quase cinco anos. “Fiz uma faculdade de Paulo Coelho. Na verdade, considero que já fiz um mestrado, porque eu sei bem mais sobre sua vida do que o próprio Paulo”, explicou.
A assessora de imprensa pede para o rapaz retornar ao seu lugar para começar a entrevista coletiva. Fernando Morais também levanta. Ele prefere uma cadeira de metal com um design diferenciado. Essa nova posição faz com que ele esteja sentando na minha direção. Estamos distantes, separados por uma mesinha rasa de madeira, em que se encontra um exemplar da biografia, um copo e uma garrafinha de água. O sofá fica vazio. Izani explica que deixará suas perguntas para o final, pois quer gravar um áudio e passa para o colunista do jornal A Notícia, Rubens Herbst, que também quer uma exclusiva de áudio. Fernando faz cara de pouco caso, mas angustiado por não ter perguntas para responder. Quem terminou com este clima chato foi o Felipe. Fez uma pergunta sobre o socialismo no Brasil, já que foi Morais quem trouxe um dos primeiros relatos, através do livro A ilha, sobre a experiência em Cuba.
"A incrível história de Paulo Coelho, o menino que nasceu morto, flertou com o suicídio, sofreu em manicômios, mergulhou nas drogas, experimentou diversas formas de sexo, encontrou-se com o diabo, foi preso pela ditadura, ajudou a revolucionar o rock brasileiro, redescobriu a fé e se transformou em um dos autores mais lidos do mundo...”: essa é a síntese da vida de Paulo Coelho na capa da biografia O Mago, os fatos mais escandalosos e marcantes da sua vida. O escritor já recusou cerca de 30 propostas de autores para fazer a sua biografia. O “sim” que deu a Fernando Morais tem sua explicação: “Ele disse que tinha gostado muito da biografia que fiz sobre o Chatô e me deu a autorização. Eu esperei que ele fizesse alguma restrição. Ele não o fez". Mesmo assim, Fernando diz que teve muitos conflitos éticos por tornar público esses fatos. Quem resolveu isso foi a sua esposa: “Mulher deixa as coisas tão simples. Ela me disse: 'Você está fazendo uma censura que o próprio Paulo Coelho não te pediu'. Pronto, tudo resolvido. Mas isso me incomodava, eu pensava 'será que tenho o direito de fazer isso com uma pessoa que foi tão prestativa comigo?'”, questionava Morais.
"Em 68 eu lutava contra a ditadura militar e o Paulo Coelho fumava maconha”, disse. O autor comenta o fato de que trabalhar a vida toda em jornais faz com que a pessoa tenha um olhar diferente. Do jornalismo, Morais adquiriu a facilidade de encontrar um bom tema. A curiosidade também foi um elemento importante para a construção dessa biografia. Ele pegou um charuto, acendeu e pediu um cinzeiro.
"Eu já tinha escrito duzentas páginas quando descobri um testamento. No começo eu não dei tanta importância, só queria saber para quem iria o dinheiro. Só depois eu soube que existia um baú que deveria ser incinerado após a morte do Paulo. Na hora liguei pra ele e me disse que eram bobagens, apenas uns brinquedos velhos. Quanto mais ele negou as chaves, mais excitado eu ficava. Ele fez um acordo: só me daria as chaves se eu descobrisse o tenente que tinha torturado ele. Bom, eu descobri. No baú tinha mais de 170 cadernos e fitas cassetes. Eram diários dos 10 ao 50 anos e ele escrevia todo santo dia. Essa descoberta muda tudo. Muda a biografia. Demorou mais um ano, mas valeu a pena”, relatou Morais durante a exclusiva para a Revi.
Posamos para fotos e depois foi sorteado um exemplar da biografia. Adivinha quem ganhou? Professora Izani. Enquanto ele autografou os livros para ela, eu e o Felipe não resistimos às mesinhas com toalhas brancas. Logo depois, estávamos os três novamente no elevador quando Fernando Morais veio correndo para descer conosco. Seguro a porta para ele entrar e conversamos sobre o jornalismo por alguns segundos. Nos despedimos e seguimos em direção ao Ielusc.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

10º Intercom

De 28 a 30 de maio ocorre o 10º Intercom Sul, uma das mais importantes atividades do calendário acadêmico dos cursos de Comunicação Social da região. Estudantes e professores do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul se reunirão na Universidade Regional de Blumenau (Furb) para discutir o tema “Comunicação, Educação, Cultura na Era Digital”.


O objetivo do Intercom Sul é socializar a produção científica e a extensão dos cursos de Comunicação Social, além de proporcionar maior integração entre as instituições de ensino e as empresas de comunicação. O encontro é uma parceira da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) com a Furb. Durante o congresso haverá três eventos para inscrições de trabalhos: o Intercom Júnior e o Expocom (para estudantes) e as Divisões Temáticas (para graduados).


O Intercom Júnior (Jornada de Iniciação Científica em Comunicação) é destinado aos estudantes que querem apresentar relatos de pesquisa bibliográfica, trabalhos de campo ou estudos profissionais sob a orientação de um professor. Cada trabalho inscrito no Intercom Júnior pode ser submetido a uma das seguintes áreas temáticas: Jornalismo, Publicidade e Propaganda, Relações Públicas, Comunicação Organizacional, Comunicação Audiovisual, Comunicação Multimídia, Interfaces Comunicacionais, Comunicação, Espaço e Cidadania e Estudos Interdisciplinares da Comunicação. O Expocom (Exposição de Pesquisa Experimental em Comunicação) é um prêmio destinado aos melhores trabalhos experimentais produzidos por alunos de graduação em Comunicação Social.


As inscrições e os regulamentos para participação estão disponíveis no site do Intercom. O prazo máximo para o pagamento do boleto dos interessados em encaminhar os trabalhos é dia 15 de abril. Para participar do congresso apenas como ouvinte, as inscrições serão aceitas até o dia 7 de maio. O preço varia conforme a data: R$ 30 até dia 5 de abril; R$ 40 entre 6 e 22 de abril; e R$ 50 até o dia 7 de maio.



Experiências ielusquianas


Formanda em Jornalismo, Priscila Noernberg participou do Intercom Sul 2008, em Guarapuava (PR), e ganhou o prêmio do Expocom pelo projeto de extensão do Jornal do Paraíso. A premiação fez com que Priscila concorresse com outros quatro trabalhos no Intercom Nacional que aconteceu em Natal (RN). Segundo Priscila, os grupos de trabalho também foram relevantes para o aprendizado devido às discussões mais aprofundadas sobre os temas que eram apresentados. “É uma ótima experiência tanto para quem esta começando no curso quanto pra quem está produzindo a monografia”, sintetiza. “Participar nestes congressos foi muito gratificante para a minha pesquisa. É possível ter contato com estudantes de diferentes regiões do país e compartilhar suas experiências. Conversei muito com a professora da Universidade Metodista de São Paulo, Cicilia Maria Peruzzo, que esteve presente na minha defesa.”, explicou.


João Franscisco Kamradt, formando de Jornalismo, também esteve no Intercom Sul 2008. A iniciativa de participar do evento foi dos professores do Núcleo de Estudos em Comunicação (Necom), quando João ainda era bolsista. “É muito proveitoso. Você acaba tendo uma visão diferente do jornalismo que é apresentado no Ielusc”, argumentou. João ainda ressalta a variedade de temas dentro do campo jornalístico: “Você pode ver uma palestra sobre fotografia, outra de jornalismo literário, de cinema. As apresentações de artigos teóricos são importantes também para estimular a criação dentro da faculdade”, comentou.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Acadêmicas de Jornalismo lançam revista feminina

Moda, beleza, carreira, saúde e bem-estar são alguns dos temas abordados pela Make Up, primeira revista voltada para o público feminino de Joinville. Publicada pelo grupo Dez Editora e redigida por Larissa Rockenbach e Luana Isse, acadêmicas de Jornalismo do Bom Jesus/Ielusc, a revista foi lançada na noite de quinta-feira, 19 de março, no Âmbar Pub, em Joinville.

Make Up tem distribuição gratuita e é bimestral. Os exemplares da primeira edição podem ser encontradas nas empresas anunciantes como a Terral Surf Shop e a Tony Cabeleireiros. O tamanho da revista também é pioneiro na cidade: o padrão “pocket” é o formato ideal para as mulheres levarem na bolsa. Neste número 1, o entrevistado é o catarinense Emanuel Tiago Milchevski. “Ele tinha saído do BBB e todos os jornais e revistas do Brasil estavam publicando”, comentou Luana, explicando a escolha para a entrevista. “Não ficamos atrás, conseguimos agendar horário com ele. Catarinense, morou em Joinville, por que não entrevistar?”.

As sócias estão felizes com a primeira edição, mas já planejam mudanças. Para o número 2, a ideia é fazer uma revista essencialmente jornalística, com mais matérias, histórias de mulheres e perfis femininos. “Também vamos aumentar a quantidade de páginas, de 48 para 80”, completou Larissa.
Persistência
O sonho de criança de Larissa sempre foi o de trabalhar numa revista e esse foi um dos motivos que a fizeram optar pelo jornalismo, apesar do pai e do irmão publicitários. Quando conheceu Luana, a determinação do sonho fez com que a revista tornasse realidade. “Após quase um ano de pesquisas, criamos a revista. Não adianta ter o projeto no papel: tem que fazer e nós fizemos”, diz Larissa. “Em pleno janeiro, crise mundial, fomos de loja em loja tentar vender anúncios. Acredito que o essencial é ter força de vontade”. Responsável por boa parte dos textos produzidos na revista, Luana considera que colocar a Make Up em circulação foi uma prova de superação para a dupla. “Recebemos críticas de pessoas muito pessimistas, que falavam 'parem de sonhar'. Essas pessoas estiveram no lançamento para nos parabenizar”, revela.
Festa
Cerca de 180 pessoas estiveram no lançamento. Amigos, familiares, políticos, lojistas, gerentes comerciais, publicitários e anunciantes foram recepcionados ao som do DJ Vigas e a DJ Gi Boneli. O cerimonial foi feito pela amiga Gisele Silveira, também acadêmica de Jornalismo. O coquetel, com canapés e salgadinhos, durou até as 22h30, quando a casa foi liberada para o público geral e para o show da banda U2 Cover, de Curitiba.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Recurso contra o diploma é retirado da pauta do STF


Eu apoio a regulamentação da profissão e a obrigatoriedade do diploma para exercer a função de jornalista.
Jornalistas por formação
Recurso contra o diploma é retirado da pauta do STF
O recurso contra o diploma foi retirado da pauta de votações do STF. Prossegue no plenário a apreciação da Adin contra a Lei de Imprensa. O Ato Público Nacional continua. A Executiva da FENAJ e a Coordenação da Campanha em Defesa do Diploma vão se reunir para traçar novas estratégias de continuidade do movimento.Às 16h45 desta quarta-feira (1º/04) a coordenação do movimento foi informada que, a pedido do presidente do Supremo Tribunal Federal e relator do RE 511961, ministro Gilmar Mendes, o advogado que representa a FENAJ e o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo na ação foi oficialmente comunicado da retirada do tema da pauta. Não foi divulgada nova data para julgamento do recurso contra o diploma.Dirigentes da campanha continuam no plenário do STF acompanhando a votação da Adin contra a Lei de Imprensa. “Após o Ato Nacional a Executiva da FENAJ e a Coordenação da Campanha vão definir novas ações, mas desde já a orientação é para que a movimentação nos estados e os preparativos para o Dia do Jornalista, 7 de abril, prossigam”, disse o diretor da FENAJ Luiz Spada.
Fonte; FENAJ

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Estou tão feliz por ter visto esse filme.


Eu tentei ver no cinema. Tentei mesmo. Primeira tentativa com o pessoal da faculdade. Depois com uma amiga. Outro dia tentei ver sozinha mesmo, mas o filme já tinha começado há dez minutos.
Estou falando de ‘Blindness’, um filme fantástico baseado no livro ‘Ensaio sobre a cegueira’, do consagrado autor José Saramago. Mas acho que ganhei um presente por ter demorado tanto para vê-lo. Estava sozinha em casa, fui à locadora. Assisti ao filme com transe. Adorei. Quando terminou, levantei do sofá e dancei na sala. Fui aos extras. Assisti o “making off’. No ultimo instante, mostra uma cena emocionante. Uma câmera simples registrou um momento divino, posso assim dizer.
Um ano depois de terminarem as gravações e editarem o filme. Fernando Meirelles, o diretor, embarca no avião com destino a Lisboa – Portugal, para a exibição do longa-metragem. A exibição do filme ao escritor Saramago.
Saramago está com a cabeça erguida. Usando um terno escuro com camisas brancas, ele segura a mão de sua esposa, deixando assim visível a aliança dourada. Sua Senhora, com discreto blazer listrado, e um batom sutil, espreme seus olhos para enxergar através dos óculos de armações simples. Fernando Meireles está sentado ao lado de Saramago, está folgado na poltrona. Sua mão cobre o queixo.
As luzes se apagam, os aplausos começam.
A luz retorna com uma sombra mais dourada, o cinegrafista aproxima, pegando um ângulo frontal dos três.
Saramago não está batendo palmas. Seu polegar está colado em sua boca, como se estivesse roendo a unha. Fernando aplaude em palmas longas e baixas. A esposa bate palmas delicadamente, mas com entusiasmo.
Saramago chama Fernando com um toque de braço.
Fernando volta-se para ele, apreensivo e diz:
- Não precisa...
Saramago não deixa que Fernando prossiga e declara:
- Estou tão feliz por ter visto esse filme...
Pausa.
Fernando inclina para frente. Saramago passa suavemente o dedo pelo nariz e continua:
- ... Como estava por ter escrito o livro.
A frase saiu rouca, como num sussurro. A emoção estava ali.
- É mesmo? – perguntou Meirelles.
Saramago apenas confirma com movimento de cabeça.
- Você não sabe como isso me deixa feliz também.
Meirelles levanta e beija a testa do escritor.
Saramago cruza as mãos. E Fernando diz:
- É bom saber disso.
Eu chorei.