quarta-feira, 12 de novembro de 2008

As gotas da Chuva

Era quarta-feira. E a cidade era Joinville. Estava chovendo. A garota saltou do ônibus e sentiu a chuva cair. Uma preguiça para abrir a sombrinha. As gostas eram agradáveis, é gostoso sentir isso. Chuviscava muito fraco, realmente não precisava de guarda-chuva. Rumou em direção à sua casa perdendo-se entre as águas que transpassavam seus tênis molhados.
Aproximando-se da sua casa, decidiu não ficar no computador. Era uma grande decisão. Preferiu o sofá. Assistiu o vale a pena ver de novo. Realmente valeu. Eram quatro horas da tarde, o horário que corrompe toda criatividade. Ficar no sofá remete a uma nostalgia muito doce. Descobriu felicidade ao devorar um pacote de bolacha recheada. Não sentiu mais culpa ao fazer isso. Resolveu aproveitar o momento. Aquela tarde com biscoitos, cobertor e novela a fizeram lembrar os tempos de adolescência. Não fazia muito tempo, mas mudara muito. E que deixara saudades de uma garotinha despreocupada. Era divertido ser criança. Alias, ela ainda é uma criança, mas agora ela trabalha e paga os próprios estudos. E isso já faz uma grande diferença no seu ego. Passara uma tarde perfeita, mas precisava ir pra faculdade. Já estava atrasada, saiu de casa e lembrou que tinha esquecido a sombrinha em cima da mesa. Voltou. Afinal as gotas já não são mais agradáveis.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Surpresinha

Estava a andar pela cidade. Jovem. Bonita. Deveria ter o seus tão esperado “18 anos”. Procurava “olhar diferente” para as estradas, as casas, para ver algo diferente que não percebia, mesmo caminhando durante seis meses pelo mesmo trajeto. Pensava na vida, na sorte. Na falta dela em questão. Sim, ela sabia que a sorte existia. Prova deste fato era que no dia anterior um moço tinha conseguido o que ela (e todas as pessoas deste planeta) tanto almeja conquistar. Ganhar na Mega-Sena.

Um joinvilense conseguira por acaso uma quantia de 14,4 milhões. E o mais incrível desta história é que o moço em questão nem se preparou com rituais e escolha de números – o que esta sempre se preocupava. O rapaz utilizou o troco de uma conta paga “para tentar a sorte”. Fez uma surpresinha – tipo de aposta em que o sistema gera os números para o cliente. Gastou apenas R$1,75. E ganhou. Ele ainda comentou aos jornais da cidade: "Nem imaginava que fazendo uma surpresinha teria uma grande surpresa". A garota queria uma grande surpresa na sua vida também.

“Um raio não cai no mesmo lugar duas vezes.” Até desistira de “jogar”. Ela realmente não tinha sorte. Literalmente. Recordava agora dos fatos que comprovassem isto. Sempre que estava um metro do ponto de ônibus, o mesmo passava por ela. Isso sempre acontecia. Veio um “flash-back”. Quando era criança ganhara de seu tio um trevo de quatro folhas. E no momento que ela guardou na sua bolsinha rosa da ”Chiquititas”, uma folha caiu, tornando assim um trevo comum de três folhas. Isto deixou assustada. Parecia até cena de filme americano. Completamente ela era a vitima das “Leis de Murphy”. Esta semana na escola, profetizou mais uma: “Oitenta por cento do exame final da sua prova será baseada na única aula que você perdeu, baseada no único livro que você não leu”. Exatamente, pensara ela.

Já estava quase chegando à rua da sua casa. Virou a esquina. Passou perto de uma grande árvore. Uma folha caiu. No seu cabelo. Ficou ali, enroscada nos seus fios lisos. Ela pegou a folha. Olhou. Não tinha vento. Era uma tarde muito quente na cidade. Guardou no bolso da calça jeans. Afinal só com ela tinha esta coincidência. As folhas gostavam dela. Uma surpresinha. Então ela teve uma grande surpresa. Uma amiga ligou. Tirou 9,7 na prova de português. A melhor nota da sala. Sorte?

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Noite fria.

23h11. Uma garota desce as escadas do Ielusc. Chorando. Silenciosa. O pátio do Bom Jesus está totalmente apagado. Não há carros no estacionamento. Não há mais pessoas circulando e conversando entre os banquinhos. A garota desce lentamente os últimos degraus. Observa. Realmente está frio. Escuro. Vazio. Fecha o casaco. Coloca as mãos nos bolsos. Chora. Caminha. Sozinha.

O trajeto até o portão da instituição, pareceu-lhe mais extenso. O tio Neri não está mais na guarita. Dá um ‘boa noite’ ao outro guarda noturno. Sorri. Forçado. Afinal ela sempre foi simpática. Caminhar até o terminal é um grande percurso, para que ela lembre-se de todas as suas pautas e consequentemente suas notas.Primeira Pauta. 7,0. Segunda Terceira e Quarta Pauta. 5,0. Quinta Pauta. 3,0. Justo este em que ela estava confiante, esperando um 9,0. Sentiu uma tontura. Dor de cabeça. A culpa era do vento
que estapeava seu rosto.



Redação Jornalística I. ”Nos vemos novamente no exame”, estas palavras do seu mestre, a deixou completamente perturbada. Ficara apenas vinte minutos com o Melatti. Tempo suficiente para achar vírgulas, pontos, crases, aspas nos lugares incorretos. Porque é tão difícil escrever? Não entendia. Logo ela que sempre tirava acima de 8,0 em Português. Era adorada pelas suas professoras de Literatura. Justo ela que tinha suas redações expostas no mural escolar. Ensino Fundamental. Ensino Médio. Sempre foi assim. Todos diziam que ela seria uma excelente jornalista.


Mas ela perguntava “Será?”. Não se sentia preparada para a faculdade. Tinha 17 anos. Acabara de terminar o “terceirão”. Mas tinha certeza que era o Jornalismo. Ah, sem dúvidas. Ele que seria o seu “marido”. A sua grande paixão. Foi amor à primeira entrevista. Aos oito anos. Mas porque ele estava tão diferente?O jornalismo sempre foi tão simpático, descolado, divertido e agora estava arrogante e frio.

Isso não importava mais. A garota queria este “casamento”. Mesmo que o noivado dure quatro anos. Determinada. Limpou as lágrimas que ainda percorriam sua face. Já estava se acostumando com elas. Eram quentes. Mas ainda assim, algo a preocupava. Já não era por estar em exame em Língua Portuguesa e Redação Jornalística I. Existia alguma coisa que alertava. O tempo. 23h24. Era isto que marcava no bilhete da passagem. A plataforma do seu ônibus estava vazia. Sentou num banco gelado. As pessoas iam surgindo. Agrupando-se em pequenos grupos. O ônibus chegou. Entrou. Conseguiu um assento. Gelado também. Pegou um livro que estava perdido dentro da imensidade de sua bolsa. Nelson Rodrigues. Peças Dramáticas. Mas não queria ler isto. Ela queria escrever. E então escreveu.


sábado, 12 de abril de 2008

Assista : KIKA


Acabei de assistir esse filme.E adorei. A direção é algo a parte: Pedro Almodóvar. E isso já compensa os 100 minutos de cinema. Não consigo falar muito do filme no seu aspecto cinematografico. Mas acho que nem preciso falar. O nome Pedro Almovódar já explica.
Uma atenção para a personagem Andrea "Caracortada", uma jornalista extremamente exagerada e com um figurino notável de comentários.
Amei a perfomance da atriz.Ótimo!
"Matar é como cortar as unhas do pé, no começo dá uma preguiça..."

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Momento


Manhã fria de outono. No mais cedo do sábado, às 7h, o meu horário Mágico.

Lembro muito pouco desse sonho, mas o momento que ele me proporcionou foi inesquecível.

Vestia moleton e jeans.

Sentada num banquinho de madeira, na praça de uma cidade desconhecida.

Conseguir sentir o vento bater no rosto, e bagunçar o cabelo.

Vento gelado e forte.

O mesmo vento que balança as arvores, e faz um barulho indescritível.

Sentir as narinas gelarem. Respirar. Respirar.

Isso é tão gostoso. É o tempo mudou.

Ouvir o barulho dos carros ao longe. Muito longe.

Poder ver as folhas suavemente caindo.

O frio chegou.

E eu sou apenas uma garota que achou a paz de espírito.

terça-feira, 25 de março de 2008

Porque vieste ao curso?


Diariamente, ainda me pergunto: "Jéssica, porque vieste ao Jornalismo?". Essa pergunta é frequente durante esses dois meses, e até agora não encontrei uma boa resposta.

Lembro exatamente do momento em que "anunciei" que iria fazer Jornalismo. Meu pai estava sentado lendo o jornal 'Diário Catarinense' (que ironia, mas é verdade), e me olhou com um ponto de interrogação. Minha mãe fez um risinho um tanto sarcástico e disse:
- Tu quer ir pra televisão, né?

E esta é outra pergunta que eu também não consigo responder.

segunda-feira, 24 de março de 2008

???


Como já mencionei em algum canto desse blog:"Eu faço Jornalismo!", sim sim, estou na primeria fase e isso me dá um orgulho muito grande!(:D)

Decidi fazer esse blog, para 'lapidar' a minha (péssima) escrita.(risos). Ainda estou perdida na faculdade, mas estou adorando tudo.

Aqui nesse espaço tentarei escrever ... vou estar postando minhas opiniões sobre coisas fúteis e úteis e algumas experiências incriveis!