quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Surpresinha

Estava a andar pela cidade. Jovem. Bonita. Deveria ter o seus tão esperado “18 anos”. Procurava “olhar diferente” para as estradas, as casas, para ver algo diferente que não percebia, mesmo caminhando durante seis meses pelo mesmo trajeto. Pensava na vida, na sorte. Na falta dela em questão. Sim, ela sabia que a sorte existia. Prova deste fato era que no dia anterior um moço tinha conseguido o que ela (e todas as pessoas deste planeta) tanto almeja conquistar. Ganhar na Mega-Sena.

Um joinvilense conseguira por acaso uma quantia de 14,4 milhões. E o mais incrível desta história é que o moço em questão nem se preparou com rituais e escolha de números – o que esta sempre se preocupava. O rapaz utilizou o troco de uma conta paga “para tentar a sorte”. Fez uma surpresinha – tipo de aposta em que o sistema gera os números para o cliente. Gastou apenas R$1,75. E ganhou. Ele ainda comentou aos jornais da cidade: "Nem imaginava que fazendo uma surpresinha teria uma grande surpresa". A garota queria uma grande surpresa na sua vida também.

“Um raio não cai no mesmo lugar duas vezes.” Até desistira de “jogar”. Ela realmente não tinha sorte. Literalmente. Recordava agora dos fatos que comprovassem isto. Sempre que estava um metro do ponto de ônibus, o mesmo passava por ela. Isso sempre acontecia. Veio um “flash-back”. Quando era criança ganhara de seu tio um trevo de quatro folhas. E no momento que ela guardou na sua bolsinha rosa da ”Chiquititas”, uma folha caiu, tornando assim um trevo comum de três folhas. Isto deixou assustada. Parecia até cena de filme americano. Completamente ela era a vitima das “Leis de Murphy”. Esta semana na escola, profetizou mais uma: “Oitenta por cento do exame final da sua prova será baseada na única aula que você perdeu, baseada no único livro que você não leu”. Exatamente, pensara ela.

Já estava quase chegando à rua da sua casa. Virou a esquina. Passou perto de uma grande árvore. Uma folha caiu. No seu cabelo. Ficou ali, enroscada nos seus fios lisos. Ela pegou a folha. Olhou. Não tinha vento. Era uma tarde muito quente na cidade. Guardou no bolso da calça jeans. Afinal só com ela tinha esta coincidência. As folhas gostavam dela. Uma surpresinha. Então ela teve uma grande surpresa. Uma amiga ligou. Tirou 9,7 na prova de português. A melhor nota da sala. Sorte?

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